Meditação na Praia

A ultima vez em que meditei na praia, ouvindo a arrebentação das ondas contra as areias, eu tive uma experiência especial.

Eu me vi sentado ali na areia, com as pernas cruzadas e a coluna vertebral ereta. Comecei a sentir a areia, e ir aumentando essa sensação pouco a pouco, expandindo-a para muito além da região próxima a mim. Comecei a sentir as águas do oceano a se arrebentarem contra mim. Comecei a sentir a orla da praia como um todo, e toda aquela água, daquele imenso oceano, massageando-me suavemente naquele dia de sol. Eu senti também o vento que soprava e me secava um pouco, para logo em seguida vir outra onda e molhar-me novamente.

Comecei a adentrar o mar, indo em direção às regiões mais profundas. Tive uma sensação de imensidão e de suavidade, e um grande respeito tomou conta de mim: aquele oceano era um único oceano, na verdade: aquelas águas banhavam 2/3 do planeta, passeando por todos os seus recônditos, indo e voltando. Essas águas que eu sentia, próximas àquela praia, fizeram-me sentir uma presença muito forte, das profundezas do oceano calmo; era como uma mãe, uma Grande Mãe da Vida, doadora, mantenedora e sustentadora da Biosfera. Senti gratidão por ter tido aquela sensação profunda e pacífica dessa mãe gigantesca, boa e sábia. Eu era a areia, e era como se essas areias fossem minhas mãos: eu “sentia” e “tocava” o oceano com minhas mãos enormes. Essa espécie de comunhão homem-natureza terminou com um agradecimento, e com um recolhimento desses meus braços imensos. Quando abri os olhos, estava mais calmo e pacífico que nunca.

Olhei de novo para o mar, e agradeci novamente: os rios, lagos, e oceanos, que me concedem a água, ajudam-me a viver a cada momento!

Em seguida, observei o céu, e tive a mesma sensação: o céu entrava pelos meus pulmões e saía. O céu, que me concede o ar, ajuda-me a viver a cada momento!

Esfreguei meus pés na areia. A areia, a terra, que permeia todo este planeta e me concede um lar para viver e o alimento para me nutrir, ajuda-me a viver a cada momento!

Senti os raios do Sol aquecendo minha pele. Mesmo tão distante, a estrela do nosso sistema planetário brilhava e queimava forte com seus raios de luz e calor. O fogo, que concede energia a mim e a tudo o que há nesse planeta, ajuda-me a viver a cada momento!

Tudo ao meu redor me ajuda a viver a cada momento!

E todas essas forças e esses elementos se organizam e se espalham por caminhos e meios muito bem definidos e ordenados, a cada momento, fazendo funcionar tudo o que conhecemos com uma sincronia e uma harmonia que escapam ao alcance dos sentidos.

“Observe o desabrochar de uma flor e você terá observado o nascimento de uma galáxia”.

Labirinto da Mente?

Um Labirinto nada mais é do que uma complicada e intrincada construção cheia de corredores estreitos com paredes altas, impossíveis de se escalar; há diversos caminhos que podem ser percorridos nesses corredores, os quais muitos não têm saída ou fazem andar em círculos. Os labirintos mais clássicos possuem somente um caminho para se chegar ao seu centro. Tal qual no conto mitológico do Labirinto do Minotauro, o explorador deve avançar com cautela e tomar precauções para que saiba o caminho de volta, senão poderá ficar eternamente preso nesse imenso quebra-cabeças…

Além da dificuldade do labirinto em si, este geralmente abriga uma fera com “corpo de homem, cabeça de touro e dentes de leão“. Essa criatura bestial representa a soma das mais profundas paixões e desejos dos homens. A alegoria do labirinto somada à esta fera descontrolada simbolicamente nos mostra que um homem que desconhece a si mesmo, que não sabe como dominar seus desejos e paixões mais fervorosos, estará perdido e à mercê de seus mais básicos instintos primitivos; ele viverá somente para saciar suas necessidades físicas mais imediatas.

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A Mente, o Corpo e a Vida

É comum pensarmos que nossa principal característica seja a mente. Afinal de contas, isso define a nossa diferença entre todos os outros animais, a capacidade de pensar. Mas será que é apenas o pensamento e o raciocínio que nos diferencia dos outros seres viventes?

Também somos seres capazes de sentir e perceber o nosso ambiente com nossos cinco sentidos básicos. Porém, além desses, temos a faculdade de avaliar uma situação através das emoções que ela nos desperta. Felicidade ou tristeza. Euforia ou apatia. Expansão ou contração. Continue lendo

Carta a um Maçom

Rio de Janeiro, 9 de julho de 1963.

Caro Dr. G.:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Li, com maior prazer, a entrevista concedida ao Diário de Notícias, através da qual o Grande Oriente do Brasil manifesta à nação a sua intenção de, finalmente, fazer com que a Maçonaria venha a ocupar na vida brasileira o papel que lhe cabe e sempre lhe coube desde a Independência – que, como todos sabemos, foi feita por maçons.

Relembrei nessa ocasião minha conversa com o senhor, e as nossas palavras de despedida, nas quais buscou o senhor gentilmente trazer à minha atenção o fato de que (na sua opinião) a Igreja Católica Romana é uma boa introdução à vida adulta para crianças. Eu lhe disse então: “Mas a Maçonaria é infinitamente melhor”, e aproveito esta oportunidade para repetir e ampliar estas palavras. Continue lendo

Diálogo entre Jasão e Jesus

O Leão de Judá

“Jasão”, sendo o protagonista do livro “Operação Cavalo de Tróia”, de J.J. Benitez, é um Major da Força Aérea dos EUA que participa de um experimento científico de viagem no tempo. O período que é escolhido para testar a máquina é o da crucificação de Jesus Cristo. Após diversas dificuldades e percalços pelo caminho, Jasão encontra-se com o Galileu na casa de Lázaro, o que ocasiona uma conversa deveras reveladora, profunda e meditativa entre o rabi e o viajante. Aproveitem esse dia para refletir nas palavras ditas pelo Mestre. Embora seja um livro de “ficção”, não deixa de abarcar um significado congruente com o que nós, Livres Pensadores, pensamos e refletimos acerca da Vida e do Universo, entre outros temas. (Os grifos são nossos)

“Ao notar que Jesus se oferecia prazerosamente ao diálogo, aproveitei a ocasião e perguntei-lhe sua opinião sobre o que sucedera naquela tarde.

– Tenho estado no centro do mundo e me revelado a eles na carne. Encontrei-os todos embriagados. Nenhum eu encontrei sedento. Minha alma sofre pelos filhos dos homens porque estão cegos de coração; não vêem que chegaram vazios ao mundo e tencionam sair vazios do mundo. Agora estão bêbados. Quando vomitarem seu vinho se arrependerão… Continue lendo

Os Níveis do Ser Humano

Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio.

– Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

– Mas, Mestre, que níveis são esses? Continue lendo

Hipácia de Alexandria, vítima do fanatismo cristão

A cidade de Alexandria foi fundada por Alexandre, o Grande, no ano de 332 a.C, e logo se tornou o principal porto do norte do Egipto. A sua localização privilegiada, na encruzilhada das rotas da Ásia, da África e da Europa, transformou a cidade num lugar ideal para centralizar e concentrar a arte, a ciência e a filosofia do Oriente e do Ocidente.

A Biblioteca de Alexandria foi construída por Ptolomeu I no século IV a.C. Após a decadência de Atenas como centro cultural, Alexandria tornou-se o grande pólo da cultura helenística. Todo e qualquer manuscrito que entrava no país (trazido por mercadores e filósofos de toda a parte do mundo [comprado ou pedido de empréstimo]) era classificado em catálogo, copiado e incorporado ao acervo da biblioteca. No século seguinte à sua criação, a biblioteca já reunia entre 500 mil e 700 mil documentos. Além de ser biblioteca, no actual sentido, foi também a primeira universidade, onde se formaram grandes cientistas, como os gregos Euclides e Arquimedes.

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Labirinto da Mente?

Um Labirinto nada mais é do que uma complicada e intrincada construção cheia de corredores estreitos com paredes altas, impossíveis de se escalar; há diversos caminhos que podem ser percorridos nesses corredores, os quais muitos não têm saída ou fazem andar em círculos. Os labirintos mais clássicos possuem somente um caminho para se chegar ao seu centro. Tal qual no conto mitológico do Labirinto do Minotauro, o explorador deve avançar com cautela e tomar precauções para que saiba o caminho de volta, senão poderá ficar eternamente preso nesse imenso quebra-cabeças…

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Thor, O Filme

Fui ao cinema ontem para assistir Thor, da Marvel Comics. Minhas expectativas eram de me distrair brevemente com um filme de herói clichê, como geralmente se espera de um filme desse tipo, em que o tema já foi tão batido que acaba ficando chato. Mas minha avaliação mudou totalmente ao terminar a exibição. O filme é bom e original, e saí da sessão pesaroso, pois gostaria que o 2o. filme já estivesse ali na sequência para ser visto :)

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O Guerreiro Solitário

Ele olhou para o horizonte, e pensou em tudo o que havia acontecido. Tantas batalhas, tantas pessoas, tantas coisas…. que já nao faziam parte dele. Lá estava ele, sozinho, contemplando o pôr do Sol. Tons de amarelo e vermelho nas nuvens mais altas, a brisa soprando de leve no seu rosto. A grama e as árvores acompanhando o vento, naquele último suspiro da tarde… faziam vir tantos pensamentos. Ele queria ser o vento, para poder ser livre. Tocar os céus, passar entre as árvores, sentir os últimos raios de Sol. Ele queria ser a própria terra sob seus pés, para sentir o murmúrio das pessoas, seus passos, o caminhar dos animais silvestres. Sentir o rio correndo em seu leito, célere, frio e límpido.

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