A dificuldade da mudança

Mudar é algo extremamente difícil. Veja a adolescência, por exemplo. É um momento de completa mudança: física, emocional e mental. Por que mudar é tão difícil? Em parte é porque durante a mudança, não se sabe o que se é. Quando você está mudando, quem você é? Não se sabe, pois ainda está passando pela mudança. Você está perdido, você está no meio da transformação, da metamorfose. Você não é o que foi nem o que será, e não há como saber o que será antes de se tornar. Isso causa angústia, medo, ansiedade. Mas não há como ser de outro jeito, e não há como saber inteiramente como será quando mudar, nunca. A única forma é de passar pelo processo. Seguir com a transformação, até o fim. Pois se pará-la no meio, quando ainda não se é nem o antigo nem o novo, você desaparece, você morre. Não há como existir se não for completo e coeso e, durante a transformação, você não é nem um nem outro.

A presunção dos magos

“O pior cego é aquele que não quer ver”

Ao iniciar a caminhada na Senda, vemos logo no começo um panorama no mínimo fantástico: esclarecimento para todas as nossas dúvidas, solução para todos os nossos problemas, e até a conquista de dons e poderes para nosso deleite! Oh, que maravilhoso é esse caminho!
É precisamente ao adquirirmos esse posicionamento que nos mostramos indignos e, principalmente, ponto focal para as forças destruidoras da ignorância e do orgulho.
Prontamente perdemos o que mal começamos a entender e a, erroneamente, querer. Queremos o que não precisamos querer. E, querendo, caímos quando na verdade queríamos ascender.
Tolo é aquele que acha que, sozinho, consegue fazer tudo. Idiota é aquele que acredita ter algo especial que outro não possui.

“Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão”.

Alguns podem torcer o nariz ao ler essas palavras, mas boas lições podem ser encontradas em muitos lugares, e esse lugar, a origem dessa frase, não é diferente dos outros, então, por que não? O sábio reconhece a sabedoria, independentemente do meio em que a sapiência aflorou. Essa é a beleza da lição e do aprendizado: surgir em qualquer lugar. No limpo ou no sujo, no profano ou no sagrado, no corrupto ou no imaculado. O dever é saber reconhecê-la e absorvê-la.
O que essa frase implica denota bem o que foi dito anteriormente: olhar para si antes de olhar para fora. Somos alvo de nossos próprios defeitos, manias, maus-hábitos, vícios, demônios (internos e externos). Esses últimos são combatidos com unhas e dentes, mas e os outros, os internos? Esses estão tão bem alojados e estão tão invisíveis no dia-a-dia, que continuam a agir como se pouca coisa tivesse mudado, embora estejamos fazendo nossas práticas defensivas conforme prega a ordem/ o mestre/ o templo. Há a necessidade de se vivenciar as práticas, internamente, com toda a sua atenção e intenção.
Expurgar o mal que habita em si para daí olhar para as estrelas, buscar e encontrar.
Haveria diferença entre olhar para fora ou para dentro? Ambas são formas válidas de se encontrar o que tanto se busca. Se tem pesquisado para fora e não tem encontrado, procure pesquisando para dentro. Ficará surpreso.

“Nenhum homem é uma ilha”.

Todos precisamos de ajuda, direta ou indireta. Sempre precisaremos de alguém, por mais que se isole ou por mais poderoso que se torne. Há uma interdependência entre tudo. Uma teia invisível nos liga e nos une, e se faz necessário que o outro exista e sobreviva. Nem o mais poderoso ser humano pode viver somente de si próprio. E se há alguém que consiga, sempre há aqueles que o servem, sendo esses os que são a base para ele existir e, sendo assim, o apoio vital desse alguém, sem os quais viria a morrer.

“Sempre há um peixe maior”.

Sempre houve e sempre haverá alguém em uma hierarquia superior a você próprio e, se não houver, então você responderá a toda a classe hierárquica inferior, que é quem lhe dirige. Portanto, saber seu lugar e saber o seu dever e responsabilidades lhe dá perspectiva de sua importância na grande escala. Respeito é bom, humildade é melhor ainda.
Não confundir humildade com humilhação. Humildade é ser o que se é, sem aumentar nem diminuir. Humilhar é se diminuir. Soberba é se aumentar.
O poder não é exclusividade de quem estuda mais, ou de quem tem mais oportunidades. O poder vêm e vai, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais simples aos mais letrados.
O poder amplia e mostra o que há em cada pessoa no qual ele “pousa”. O poder é somente emprestado, e é geralmente para testar quem o recebe. Se for alguém digno, essa dignidade será ampliada e mostrada àqueles ao seu redor… se for indigno, essa pessoa exibirá ainda mais seus fortes traços negativos de caráter. Sempre lembrando, que ninguém é totalmente bom ou ruim. Como disse Sirius Black, “o mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós.”, ou seja, estamos o tempo todo decidindo agir em nuances, em graduações entre esses extremos e, ao receber poder, estamos sendo testados. É uma oportunidade que nos está sendo dada de testar-nos, de aprender com nossas capacidades e nossas decisões e de receber o julgamento dos olhos públicos, pois todo aquele que recebe o poder jamais fica oculto de todos os outros por muito tempo. Cedo ou tarde, a Verdade prevalece. A Justiça é feita, as pessoas sabendo ou não.

Novo ano, velhas (e novas) reflexões

Velhas Reflexões

Vai ano, vem ano, e a impressão que tenho é que não importa a mudança desse número, desse contador. A mudança do número não importa. Assim como as tarefas diárias não importam por si próprias; elas são uma parte que se precisa dominar na vida, mas não se deve focar absolutamente nelas, pois não são um fim, elas são o preço cobrado, ao qual se vai pagando (ou não) conforme se vai vivendo e as executando.

Dormir, acordar, tomar café, trabalhar, tomar banho, lavar pratos, limpar a casa… são coisas que todo ser humano deve fazer, seja ele próprio, ou algum outro pago por ele. Mas entre tudo o que se faz durante o dia, deve haver algo que você faça com paixão, com amor, com vontade genuína; com uma força que te impulsiona e te dirige, de tal forma que você não se force em absoluto em fazê-la, mas ao mesmo tempo deve-se deixar “rolar”. Fluir.

Todos os dias eu vejo a janela de tempo para fazer essa coisa surgir, e eu penso “posso deixar para depois” ou “agora não posso, estou executando X tarefa, depois farei isso”. Mas o tempo se escoa e o que eu realmente queria fazer não foi feito.

A solução?

Fazer mesmo que interfira em outras tarefas. Tomar nota, pelo menos, do que se quer fazer. Abrir mais janelas no tempo para executar isso, que vêm lá do âmago de seu ser. Senão, fica-se preso nas tarefas diárias corriqueiras e a tarefa que realmente importa para esse momento no tempo-espaço fica adiada para depois ou amanhã. E o amanhã nunca vem, o depois nunca vem; pois o amanhã é sempre amanhã. O amanhã não existe, é uma ilusão criada pela mente. O agora existe. O dia 12/01 existirá, se eu viver até ele. Mas o amanhã? O amanhã é a promessa jamais cumprida, o desvio da atenção, a auto-ilusão.

O que é que eu tenho adiado seguidamente, sem trégua?

Questões sem resposta (novas reflexões)

Quando se busca pelas grandes respostas da vida, não se sabe o que acontecerá. O buscador muitas vezes se perde; seja em conceitos fora-de-si, seja em si mesmo. O Universo parece derramar sua infinitude para dentro e para fora do buscador. Os espaços e dimensões são tão complicadas e abstratas que fica difícil expor em palavras. Acho que a grande barreira para encontrar as respostas, no meu caso, seja eu mesmo.

Temo mergulhar em mim mesmo. E se eu me perder? E dai, como me acharei? Estarei pior do que estou agora, não?

Se sou feito, mesmo que diminutamente, dos mesmos arquétipos que compõe as dimensões do Universo, então em mim há, ainda que sob severas restrições, todas essas dimensões disponíveis para explorar. Talvez não estejam “abertas”, por assim dizer, mas o potencial existe. O potencial de se conectar nesse planos existenciais e, quem sabe, estabelecer contato com alguém de lá. Loucura minha? Talvez…

Ou ainda, tornar-se um receptáculo para que alguém do lado de lá venha para cá. Um veículo, ainda que temporário, para outros seres visitem e experimentem nossa dimensão.

Se isso é verdade, então, esse potencial de conexão interdimensional existe em todos e em cada ser humano. Você, eu, sua mãe, seu colega de trabalho, seu chefe, seu amigo, seu inimigo, o mendigo da rua, o viciado em crack, a prostituta, o lixeiro, o ladrão, o assassino… todos eles… com um imenso potencial. Todos eles, com tanto para explorar, para experimentar. Todos podendo ser heróis por si próprios… ou vilões.

E tudo isso existe espalhado em todas as situações que vivemos. Pois acessamos essas dimensões para pegar inspiração, para pegar energia de ação, para raciocinar, fazer cálculos, lembrar de eventos passados, sentir amor, tristeza, felicidade. Pois, se esses arquétipos divinos interpenetram e compõe toda a realidade, então tudo o que existe bebe da fonte deles. Bebe dessas dimensões, ou planos existenciais.

E é aí que toda essa enorme reflexão, todas as consequências que vêm pra você, tornam-se difusas demais e a “realidade” se faz mais forte, trazendo-o para o “aqui e agora” novamente, dizendo “ok, páre de viajar demais. Você tem tais tarefas para fazer. Faça-as, concentre-se nelas. Isso é o que importa!”.

E você abaixa a cabeça e obedece esse impulso, pois sabe que o que deve ser feito tem de ser feito, e se não for feito, será muito pior. E você se lembra que a experiência é o que vale no final das contas, não as conjecturas que se formam na sua mente demasiadamente inflada de informações e livros. Mas, que há a possibilidade para o que se pensou, isso há… e lá no fundo, você sabe que é preciso comprovar por si mesmo ao invés de ficar apenas supondo… e a aventura de se trilhar o caminho surge mais forte e lhe puxa para ela, instigando-o. E agora? Ir ou não ir? Trilhar ou não trilhar? Eis a questão!

 

A Justiça e o julgamento de si mesmo

andurilSer alguém especial é sentir-se especial. Julgar-se especial. Inteiramente.

Quando se vê como alguém indigno, é porque você não se aceita. Porque há alguma coisa em você que lhe incomoda, talvez algum ato, algum hábito, alguma postura que faz com que se julgue alguém ruim.

O julgamento tem alguns símbolos muito interessantes.

A espada, por exemplo.

É uma arma que representa a justiça. A espada é reta, afiada e possui dois gumes, ambos afiados. Ela possui um cabo, onde o espadachim a segura e esse cabo é separado do fio-de-corte por um guarda-mão, que geralmente cruza a espada transversalmente.

A espada, quando sabiamente manejada, serve para cortar o que deve ser cortado e defender o que deve ser defendido.

Possui dois gumes. A justiça possui sempre dois lados: o acusado e o acusador. Daí também surge outro símbolo, o da balança.

Quando a espada ou a balança pendem para um lado, esse lado torna-se culpado. A espada pune o que deve ser punido. Isso, quando a justiça é bem aplicada. Porém, se for mal aplicada, a balança pode vir a pender para o lado errado, ou a espada pode vir a cortar o que não deveria ser cortado. Continue lendo

O Velho e o Novo

Tenho a intenção de viver uma vida fulgurante, efervescente, com novidades e sensações a cada momento. Quero ser testado e passar no teste. Quero ser aclamado, justamente, por aquilo que eu faço. Por isso devo fazer algo que seja bom, que não somente seja aprovado pelos outros, mas, principalmente, por mim mesmo. E como eu gosto de causar forte impressão, tem de ser algo que quebre barreiras, que derrube o velho, o antigo, o inútil e o apodrecido. Não é que eu não goste de tradições. Eu gosto, respeito e aprecio tradições quando elas se mostram úteis a nossa vida atual. Tradições e costumes devem ser sempre muito bem avaliados. Há tantos costumes que não se justificam mais e, pior, muitos são terrivelmente nocivos ao bem estar de todos. Eles carregam um significado ultrapassado, uma razão de ser que não mais se aplica, e que só se mantém porque se adicionou um preconceito à antítese desse costume, desenvolveu-se um julgamento negativo.

Muitas vezes vi-me “sanduichado”, espremido, entre o velho e o novo. Julgado duramente pelo velho, forçado a viver como o velho. Instigado, desafiado, pelo novo, chamando-me para a nova experiência, para a nova prática, a nova forma de pensar. O que o velho traz de experiência, de comprovação de certas práticas e de condenação de outras, o novo traz de inovação, de criação, de frescor, de inocência, de ingenuidade.

Precisamos de ambos, o velho e novo. A dificuldade está em decidir que direção tomar. Que direção tomar?

Se seguirmos o antigo, repetiremos padrões e caminhos há muito trilhados, por tantas outras pessoas antes de nós. Haverá dicas e conselhos para se seguir, prevenções do que pode acontecer. O caminho poderá ser muito previsível, se todos os seus passos já serem vistos antecipadamente, traçados precisamente.

Se seguirmos o novo, estaremos indo em direção de uma fantástica aventura, cheia de mistério, de descoberta, de aprendizado, totalmente diferente do que já foi visto. Seremos surpreendidos a cada passo, a cada esquina. Teremos de agir e reagir no momento em que as coisas acontecem, da melhor forma que pudermos. Qualquer coisa pode acontecer, boa ou ruim.

Talvez se possa conciliar o velho com o novo. Talvez, o velho tenha de passar pelo filtro do presente, pelas necessidades atuais. E o novo, por sua vez, provavelmente deva passar pela sabedoria do velho, para que não se perca no caminho, para atestar que o novo é sim algo que acrescentará e melhorará aquilo que já é sabido ser bom. Nem sempre isso é possível, pois o velho tende a ter uma estrutura muito rígida, muito estabelecida, enquanto o novo é naturalmente livre, maleável, adaptável. Saber utilizá-los na hora certa, para o propósito correto, é um dos grandes desafios daqueles que buscam viver sempre com o frescor e a sensação de vida efervescente, sem perder a rica sabedoria dos antigos.

O Poder da Palavra

Geralmente classificamos discursos morais como entediantes e chatos. Não atribuímos importância às virtudes pois elas nos parecem chatas e restritivas. Isso acontece porque desde pequenos levamos sermões de nossos pais, nos dizendo o que devemos ou não fazer. Apesar de suas advertências, muitas daquelas coisas proibidas acabam sendo feitas mesmo assim. E o que acontece é que aprendemos a lição, mostrando-nos se nossas pais estavam certos ou não, e nunca mais esquecemos.

Pois bem, esses dias estava pensando em como costumamos mentir para nós mesmos ou para os outros. Muitas dessas mentiras são não-intencionais. Lembrando, é claro, que promessas não cumpridas também são mentiras: afinal de contas, dissemos que faríamos algo, e acabamos não fazendo, tornando nossa afirmação falsa. Continue lendo

Ciência, Religião e Mediunidade

É bastante confortável criticar uma religião de um ponto de vista estratégico, seguro de suas verdades materialistas/científicas, totalmente isolado e separado do mundo religioso sobre a qual se critica. No entanto, é inteligente de nossa parte dar atenção a essas pessoas que buscam a aprovação de um público para suas críticas? É possível de se analisar uma religião objetivamente? É válido de se tirar conclusões de qualquer sistema sem antes estudá-lo e experimentá-lo em todos os seus pormenores?

Não.

Só é possível analisar uma religião criteriosamente se você se converter a ela; se você se tornar um verdadeiro adepto, se você participar dos rituais, crer no que aqueles fiéis crêem, aprofundar-se a ponto de realmente compreender todos os dogmas colocados nessa fé em particular, decifrá-la através da auto-experiência, mergulhando nela e vivenciando-a em seu ser completamente. Dai sim você fará justiça, pois você terá vivido e experimentado o que aquela religião realmente é, o que ela significa e qual o processo pessoal de transformação que ela proporciona a seus fiéis. Tudo aquilo se tornará claro para você. E, se aquela religião for boa, você passará a compreender outras religiões como formas válidas de caminhos para a ascensão do Verdadeiro Eu. Continue lendo

Guerras Ideológicas

Todo conhecimento humano, toda reflexão, toda experimentação e estudos científicos, todo o progresso sistêmico que a humanidade têm conseguido, é devido à atitude de se questionar.

Questionando nossa realidade, crescemos e evoluimos em diversos campos.

Fazer uma pergunta é o primeiro passo para um entendimento superior das circunstâncias que nos cercam, pois aponta para um vácuo, um vazio de significado. Trazer significado para esse vazio é a missão da resposta. Continue lendo

A Magia e a Mídia

As diversas formas de mídia atuais nos proporcionam momentos de prazer, de euforia, de espanto e de tensão, entre tantos outros. Todos eles podem ser encarados como reações que temos no momento em que entramos em contato com essas mídias, trazendo certas emoções, sensações ou pensamentos no âmbito de nossa psique.

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O Bem e o Mal

Muitos já pensaram em dividir os conceitos de bem e mal. Bem e Mal tem sido as duas forças mais combatidas ao longo de toda a História. Mas existe mesmo a necessidade de se exaltar uma e de se rechaçar a outra? É sábio, justo, belo e verdadeiro que assim seja feito?

Bem e Mal são apenas lados de uma mesma balança.

Geralmente, glorifica-se e valoriza-se pessoas que são “boazinhas”, enquanto as pessoas que são “ruins” ou, em outras palavras, rebeldes, desordeiras, agitadas, são denegridas, segregadas ou isoladas do restante da sociedade.

Acho muito importante a ação dessas pessoas ditas “ruins”.
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