A dificuldade da mudança

Mudar é algo extremamente difícil. Veja a adolescência, por exemplo. É um momento de completa mudança: física, emocional e mental. Por que mudar é tão difícil? Em parte é porque durante a mudança, não se sabe o que se é. Quando você está mudando, quem você é? Não se sabe, pois ainda está passando pela mudança. Você está perdido, você está no meio da transformação, da metamorfose. Você não é o que foi nem o que será, e não há como saber o que será antes de se tornar. Isso causa angústia, medo, ansiedade. Mas não há como ser de outro jeito, e não há como saber inteiramente como será quando mudar, nunca. A única forma é de passar pelo processo. Seguir com a transformação, até o fim. Pois se pará-la no meio, quando ainda não se é nem o antigo nem o novo, você desaparece, você morre. Não há como existir se não for completo e coeso e, durante a transformação, você não é nem um nem outro.

Respeite-as

Gaia

Os homens não respeitam nada.
Não respeitam a vida ou a morte.
Não respeitam uns aos outros.
Não respeitam a individualidade de cada um.
Porém, há uma forma de respeitar tudo isso, de uma só vez.
Respeitando as mulheres.
Respeite todas as mulheres, não somente as filhas humanas.
Respeite e proteja todas as representantes da Sagrada Mãe.
Respeitando todas elas, estaremos respeitando a vida e a morte;
Estaremos respeitando uns aos outros, pois todos viemos de uma mãe;
Estaremos respeitando a individualidade de cada ser;
Estaremos respeitando aquelas que entendem, sentem e dão a vida e também nos acolhem no leito de morte;
Estaremos respeitando todas as mães de todos os animais, nossos companheiros;
Estaremos respeitando todas as árvores, flores e frutos;
Estaremos respeitando todas aquelas que GERAM e GESTAM o MUNDO.
Respeitando-as, estaremos respeitando a Mãe Terra e a Mãe D’Água Grande.
Respeitando-as, estaremos respeitando a toda a Vida e, portanto, a nós mesmos.
Amando-as, estaremos nos amando.
Cuidando-as, estaremos nos cuidando.
Respeite-as.
Ame-as.
Cuide-as.
Salve todas as mulheres, mães, filhas e anciãs!

A presunção dos magos

“O pior cego é aquele que não quer ver”

Ao iniciar a caminhada na Senda, vemos logo no começo um panorama no mínimo fantástico: esclarecimento para todas as nossas dúvidas, solução para todos os nossos problemas, e até a conquista de dons e poderes para nosso deleite! Oh, que maravilhoso é esse caminho!
É precisamente ao adquirirmos esse posicionamento que nos mostramos indignos e, principalmente, ponto focal para as forças destruidoras da ignorância e do orgulho.
Prontamente perdemos o que mal começamos a entender e a, erroneamente, querer. Queremos o que não precisamos querer. E, querendo, caímos quando na verdade queríamos ascender.
Tolo é aquele que acha que, sozinho, consegue fazer tudo. Idiota é aquele que acredita ter algo especial que outro não possui.

“Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão”.

Alguns podem torcer o nariz ao ler essas palavras, mas boas lições podem ser encontradas em muitos lugares, e esse lugar, a origem dessa frase, não é diferente dos outros, então, por que não? O sábio reconhece a sabedoria, independentemente do meio em que a sapiência aflorou. Essa é a beleza da lição e do aprendizado: surgir em qualquer lugar. No limpo ou no sujo, no profano ou no sagrado, no corrupto ou no imaculado. O dever é saber reconhecê-la e absorvê-la.
O que essa frase implica denota bem o que foi dito anteriormente: olhar para si antes de olhar para fora. Somos alvo de nossos próprios defeitos, manias, maus-hábitos, vícios, demônios (internos e externos). Esses últimos são combatidos com unhas e dentes, mas e os outros, os internos? Esses estão tão bem alojados e estão tão invisíveis no dia-a-dia, que continuam a agir como se pouca coisa tivesse mudado, embora estejamos fazendo nossas práticas defensivas conforme prega a ordem/ o mestre/ o templo. Há a necessidade de se vivenciar as práticas, internamente, com toda a sua atenção e intenção.
Expurgar o mal que habita em si para daí olhar para as estrelas, buscar e encontrar.
Haveria diferença entre olhar para fora ou para dentro? Ambas são formas válidas de se encontrar o que tanto se busca. Se tem pesquisado para fora e não tem encontrado, procure pesquisando para dentro. Ficará surpreso.

“Nenhum homem é uma ilha”.

Todos precisamos de ajuda, direta ou indireta. Sempre precisaremos de alguém, por mais que se isole ou por mais poderoso que se torne. Há uma interdependência entre tudo. Uma teia invisível nos liga e nos une, e se faz necessário que o outro exista e sobreviva. Nem o mais poderoso ser humano pode viver somente de si próprio. E se há alguém que consiga, sempre há aqueles que o servem, sendo esses os que são a base para ele existir e, sendo assim, o apoio vital desse alguém, sem os quais viria a morrer.

“Sempre há um peixe maior”.

Sempre houve e sempre haverá alguém em uma hierarquia superior a você próprio e, se não houver, então você responderá a toda a classe hierárquica inferior, que é quem lhe dirige. Portanto, saber seu lugar e saber o seu dever e responsabilidades lhe dá perspectiva de sua importância na grande escala. Respeito é bom, humildade é melhor ainda.
Não confundir humildade com humilhação. Humildade é ser o que se é, sem aumentar nem diminuir. Humilhar é se diminuir. Soberba é se aumentar.
O poder não é exclusividade de quem estuda mais, ou de quem tem mais oportunidades. O poder vêm e vai, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais simples aos mais letrados.
O poder amplia e mostra o que há em cada pessoa no qual ele “pousa”. O poder é somente emprestado, e é geralmente para testar quem o recebe. Se for alguém digno, essa dignidade será ampliada e mostrada àqueles ao seu redor… se for indigno, essa pessoa exibirá ainda mais seus fortes traços negativos de caráter. Sempre lembrando, que ninguém é totalmente bom ou ruim. Como disse Sirius Black, “o mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós.”, ou seja, estamos o tempo todo decidindo agir em nuances, em graduações entre esses extremos e, ao receber poder, estamos sendo testados. É uma oportunidade que nos está sendo dada de testar-nos, de aprender com nossas capacidades e nossas decisões e de receber o julgamento dos olhos públicos, pois todo aquele que recebe o poder jamais fica oculto de todos os outros por muito tempo. Cedo ou tarde, a Verdade prevalece. A Justiça é feita, as pessoas sabendo ou não.

Vícios e Objetivos

Balancear os aspectos da vida é resultado de um esforço contínuo. Assim parece pois os maus hábitos sempre voltam a atormentar quando se está treinando dominar a si mesmo.

As paixões nos fazem sucumbir diante de nossos projetos mais ambiciosos. Metas e objetivos que traçamos parecem não haver força diante de um mau hábito fortemente estabelecido.

Mais uma vez, a habilidade mental se faz necessária. Conhecendo o que ativa o desejo do mau hábito, pode-se evitar esses gatilhos. Há inúmeras formas de se mudar um hábito, cada qual dependendo de que tipo de hábito se deseja mudar.

Por exemplo, se se tem um desejo irrefreável de comer doces à noite, pode-se criar certas estratégias para evitar esse desejo. A pessoa tem que ser mais esperta que esse Desejo-de-Comer-Doce. O ideal seria enganar a própria mente, sem que ela soubesse. Criar barreiras, empecilhos, dificuldades, mudanças de pensamentos e de sensações, ao se deparar com o momento daquele mau hábito. Por exemplo, nesse caso, poderia-se:

  • escovar os dentes, ajudando a cortar a fome
  • comer uma fruta
  • mudar o pensamento, através de um livro, um filme, um artigo em um blog, um vídeo online, uma prática meditativa, etc

Ainda assim, muitas vezes o mau hábito se faz mais forte que as nossas tentativas de refutá-lo, acabando por fim rendendo-se a ele. E a cada vez que nos rendemos, o hábito se torna mais forte ainda, pois torna-se resistente às nossas débeis tentativas de matá-lo.

A partir disso, a frustração de não se progredir no sentido desejado vai se fazendo cada vez mais presente. Vai-se perdendo o respeito próprio, a força de vontade, aquela certeza de que se consegue fazer o que se planeja. Pouco a pouco, os planos vão sendo deixados de lado, “pois não consigo mudar”, “não tenho tempo”, “estou cansado”, e tantas outras desculpas que inventamos para nós mesmos a fim de não encararmos a verdade que não temos mais as rédeas de nosso destino. Demos as rédeas para os desejos que sentimos em saciar uma breve necessidade, sentir um breve prazer, quando poderíamos sentir uma prazer muito maior em concluir aquele projeto ambicioso e fantástico que nos propusemos, que nos ajudará a crescermos e nos tornarmos mais completos, mais confiantes em nossas próprias forças e habilidades, mais direcionados aos nossos anseios mais profundos.

Acho que o principal passo a ser dado quando não se está feliz é justamente perceber essa infelicidade. Daí, passa-se a analisar o que é que está impedindo de se ser ou de se fazer que te empurrará mais próximo a felicidade. Encontrando o que ou quem está impedindo a concretização dessas necessidades, torna-se claro o que deve ser feito: seguir em frente com o trabalho! Estourar as barreiras que o(a) impedem, achar tempo, achar forças, achar inspiração, ou seja lá o que for que se necessita para atingir as metas.

Com isso, ganhará a auto-confiança e o auto-domínio, peças-chaves para se viver bem e realizar o que precisa ser realizado.

 

Novo ano, velhas (e novas) reflexões

Velhas Reflexões

Vai ano, vem ano, e a impressão que tenho é que não importa a mudança desse número, desse contador. A mudança do número não importa. Assim como as tarefas diárias não importam por si próprias; elas são uma parte que se precisa dominar na vida, mas não se deve focar absolutamente nelas, pois não são um fim, elas são o preço cobrado, ao qual se vai pagando (ou não) conforme se vai vivendo e as executando.

Dormir, acordar, tomar café, trabalhar, tomar banho, lavar pratos, limpar a casa… são coisas que todo ser humano deve fazer, seja ele próprio, ou algum outro pago por ele. Mas entre tudo o que se faz durante o dia, deve haver algo que você faça com paixão, com amor, com vontade genuína; com uma força que te impulsiona e te dirige, de tal forma que você não se force em absoluto em fazê-la, mas ao mesmo tempo deve-se deixar “rolar”. Fluir.

Todos os dias eu vejo a janela de tempo para fazer essa coisa surgir, e eu penso “posso deixar para depois” ou “agora não posso, estou executando X tarefa, depois farei isso”. Mas o tempo se escoa e o que eu realmente queria fazer não foi feito.

A solução?

Fazer mesmo que interfira em outras tarefas. Tomar nota, pelo menos, do que se quer fazer. Abrir mais janelas no tempo para executar isso, que vêm lá do âmago de seu ser. Senão, fica-se preso nas tarefas diárias corriqueiras e a tarefa que realmente importa para esse momento no tempo-espaço fica adiada para depois ou amanhã. E o amanhã nunca vem, o depois nunca vem; pois o amanhã é sempre amanhã. O amanhã não existe, é uma ilusão criada pela mente. O agora existe. O dia 12/01 existirá, se eu viver até ele. Mas o amanhã? O amanhã é a promessa jamais cumprida, o desvio da atenção, a auto-ilusão.

O que é que eu tenho adiado seguidamente, sem trégua?

Questões sem resposta (novas reflexões)

Quando se busca pelas grandes respostas da vida, não se sabe o que acontecerá. O buscador muitas vezes se perde; seja em conceitos fora-de-si, seja em si mesmo. O Universo parece derramar sua infinitude para dentro e para fora do buscador. Os espaços e dimensões são tão complicadas e abstratas que fica difícil expor em palavras. Acho que a grande barreira para encontrar as respostas, no meu caso, seja eu mesmo.

Temo mergulhar em mim mesmo. E se eu me perder? E dai, como me acharei? Estarei pior do que estou agora, não?

Se sou feito, mesmo que diminutamente, dos mesmos arquétipos que compõe as dimensões do Universo, então em mim há, ainda que sob severas restrições, todas essas dimensões disponíveis para explorar. Talvez não estejam “abertas”, por assim dizer, mas o potencial existe. O potencial de se conectar nesse planos existenciais e, quem sabe, estabelecer contato com alguém de lá. Loucura minha? Talvez…

Ou ainda, tornar-se um receptáculo para que alguém do lado de lá venha para cá. Um veículo, ainda que temporário, para outros seres visitem e experimentem nossa dimensão.

Se isso é verdade, então, esse potencial de conexão interdimensional existe em todos e em cada ser humano. Você, eu, sua mãe, seu colega de trabalho, seu chefe, seu amigo, seu inimigo, o mendigo da rua, o viciado em crack, a prostituta, o lixeiro, o ladrão, o assassino… todos eles… com um imenso potencial. Todos eles, com tanto para explorar, para experimentar. Todos podendo ser heróis por si próprios… ou vilões.

E tudo isso existe espalhado em todas as situações que vivemos. Pois acessamos essas dimensões para pegar inspiração, para pegar energia de ação, para raciocinar, fazer cálculos, lembrar de eventos passados, sentir amor, tristeza, felicidade. Pois, se esses arquétipos divinos interpenetram e compõe toda a realidade, então tudo o que existe bebe da fonte deles. Bebe dessas dimensões, ou planos existenciais.

E é aí que toda essa enorme reflexão, todas as consequências que vêm pra você, tornam-se difusas demais e a “realidade” se faz mais forte, trazendo-o para o “aqui e agora” novamente, dizendo “ok, páre de viajar demais. Você tem tais tarefas para fazer. Faça-as, concentre-se nelas. Isso é o que importa!”.

E você abaixa a cabeça e obedece esse impulso, pois sabe que o que deve ser feito tem de ser feito, e se não for feito, será muito pior. E você se lembra que a experiência é o que vale no final das contas, não as conjecturas que se formam na sua mente demasiadamente inflada de informações e livros. Mas, que há a possibilidade para o que se pensou, isso há… e lá no fundo, você sabe que é preciso comprovar por si mesmo ao invés de ficar apenas supondo… e a aventura de se trilhar o caminho surge mais forte e lhe puxa para ela, instigando-o. E agora? Ir ou não ir? Trilhar ou não trilhar? Eis a questão!

 

A Justiça e o julgamento de si mesmo

andurilSer alguém especial é sentir-se especial. Julgar-se especial. Inteiramente.

Quando se vê como alguém indigno, é porque você não se aceita. Porque há alguma coisa em você que lhe incomoda, talvez algum ato, algum hábito, alguma postura que faz com que se julgue alguém ruim.

O julgamento tem alguns símbolos muito interessantes.

A espada, por exemplo.

É uma arma que representa a justiça. A espada é reta, afiada e possui dois gumes, ambos afiados. Ela possui um cabo, onde o espadachim a segura e esse cabo é separado do fio-de-corte por um guarda-mão, que geralmente cruza a espada transversalmente.

A espada, quando sabiamente manejada, serve para cortar o que deve ser cortado e defender o que deve ser defendido.

Possui dois gumes. A justiça possui sempre dois lados: o acusado e o acusador. Daí também surge outro símbolo, o da balança.

Quando a espada ou a balança pendem para um lado, esse lado torna-se culpado. A espada pune o que deve ser punido. Isso, quando a justiça é bem aplicada. Porém, se for mal aplicada, a balança pode vir a pender para o lado errado, ou a espada pode vir a cortar o que não deveria ser cortado. Continue lendo

O Significado que nos Move

Tudo parece partir de um significado.

Aquilo que não tem significado, não tem motivos para existir. E se não há motivos para existir, então, mais cedo ou mais tarde, não mais existirá.

Toda pessoa que se sente perdida, está perdida em parte por não saber seu significado na vida. Não sabe, não sente, não intui, seu lugar na vida, sua função no esquema das coisas, do Universo, do Todo.

Esse vazio, esse buraco em si mesmo, muitas das vezes faz com que partamos em busca de um significado. Essa busca é o que fará com que a pessoa encontre aquilo que procura. É como uma luz, uma chama, o fogo orientador.

Porém, se a pessoa se encolher em si mesma, fechando-se, fará com que a dúvida permaneça e ganhe força. Talvez a leve a isolar-se cada vez mais, em todos os âmbitos. Provavelmente perca a vontade de fazer qualquer coisa. Porque, aos poucos, a falta de significado vai contaminando a vida dessa pessoa, como uma infecção, uma praga. Até que mesmo atos comuns do dia-a-dia se tornem totalmente inúteis para ela. Higienizar-se, alimentar-se, trocar-se… tudo passa a ser sem sentido. Até que a infecção chamada “Falta de Significado” alcance seu ápice, que é o vazio existencial completo e total. Nesse ponto, tudo é inútil. Tudo é vago. Tudo é trevas.

O nada absoluto impera.

E daí a pessoa se suicida.

É meu desejo que descanse em paz, Robin Williams… é meu desejo que você e que outras pessoas que se suicidaram ou que estão prestes a fazer isso, que vejam a verdade por trás da escuridão, por trás da luz, por trás de Tudo. Desejo que você e essas pessoas se lembrem de quem realmente são, das possibilidades que a existência proporciona, que se lembrem da dádiva de existir e experimentar. Experimentar… Experimentar…

Talvez o verdadeiro significado da vida seja esse. Experimentar tudo aquilo que quiser. Fazer o melhor que puder, da forma que quiser. Abrir os olhos e absorver a dádiva de estar aqui. Regozijar-se, banhar-se em tudo o que nos é ofertado, desde as mais simples.

O respirar.

O caminhar.

O observar o mundo. O céu. A terra.

O ouvir os sons do mundo.

O sentir com as mãos, com os pés, com o corpo.

Sensibilize-se para a vida. Aproveite a vida, aproveite o dia.

Carpe Diem!

O Equilibrista

Estar aqui, nesse momento, nesse corpo, nessa vida, tem sido muito desafiador… o desafio de se viver. O desafio de existir nessa condição, de se ter um corpo e de todas as responsabilidades que isso acarreta.

Só responsabilidades?

Claro que não. Também há vantagens, prazeres…

Porém, parece não ser possível fugir da dualidade…

Pois se você só usufrui, imediatamente isso criará um desequilíbrio na área diametralmente oposta.

E isso parece ser uma Lei da Vida. Da Natureza.

Pois não importa onde eu olhe, eu vejo isso atuando.

Em algumas situações, o desequilíbrio é mais evidente, pois seus efeitos são bem perceptíveis aos meus sentidos.

Mas em outras situações, os efeitos são mais ocultos. Eles ocorrem em um nível mais sutil de realidade. Nível esse que muitas vezes não é detectado pelos meus sentidos comuns.

Mas eu acredito que o efeito está lá, pois acontecem certas sincronicidades absurdas que acabam conectando fatos aparentemente desconexos…

Fazendo uma simulação de todos os efeitos desequilibradores que causei e que causarei na minha vida… a imagem que surge diante da minha mente é a de um equilibrista sobre uma corda bamba. Continue lendo

Lições

Ontem percebi que havia errado na contagem do Sefirat Ha Omer. Isso me causou inúmeros sentimentos e reações. Primeiro, fiquei muito bravo. Bravo comigo mesmo. Intolerante. Como pude ser tão tolo? Tão negligente? Logo eu, que estava fazendo com a maior dedicação, com todos os instrumentos, todos os dias, da forma correta?

Considerando que estava fazendo no formato Avançado, como pude me deixar trair tão facilmente?

Aí surgem as respostas. A intuição, a voz interior.

“Nesse dia, você não fez como nos outros dias. Você foi afobado. Foi apressado. Não quis seguir todos os passos. Quis terminar depressa. Nessa correria, não prestou atenção suficiente. E atenção é primordial nesse tipo de exercício. Como você espera conhecer-se e explorar seus limites, sem ter atenção? Ora, a atenção é o fundamento da meditação. Meditação é o próprio treino da atenção. E você negligenciou esse aspecto, talvez o mais importante de todos.”

“Você estava indo bem. Estava fazendo progressos. Mas deixou que coisas momentâneas fossem mais importantes do que a tarefa que você mesmo se propôs. Isso fez com que perdesse a contagem. E isso em si só é uma lição valiosíssima. Encare-a como sendo a lição do Sefirat Ha Omer desse ano. Perceba como esse problema tem afetado sua vida como um todo, inclusive em áreas que você nem havia notado. Páre de dar tanto crédito à mente linear e ao seu próprio conforto. A mente linear é somente um instrumento que ajuda em certas tarefas, nada mais. Ela não é seu centro. Assim como seu conforto, que pode ser adquirido em pouco tempo, com poucas coisas. Já o que você busca não pode ser adquirido com a mesma facilidade, ou pode?”

“Equilibre-se. Sempre que estiver desequilibrado, equilibre-se. Lembre-se dos exercícios que conhece. Use-os. Respire fundo. Não se deixe levar pela rapidez e afobação externas ou internas. Faça o que propôs a si mesmo, e faça bem feito. Atenção. E, é claro, perdoe-se.”

“Não se julgue tão pesadamente. Você está evoluindo. Não se culpe nem se puna. A auto-punição te previne de aprender e vivenciar o momento, atrasando seu progresso. Sei que a justiça é um dos valores regentes de sua vida, mas ser justo é dar permissão para reparar os erros. Nada é definitivo, como você bem sabe.”

“Trabalhe com boa vontade e diligência e lembre-se de não se auto-promover demais. Você estava indo bem, mas você estava se congratulando demais por isso, o que acabou criando uma auto-imagem maior do que você realmente é. Essa auto-imagem aumentada é que está forçando você a se julgar pesadamente demais.”

“O Trabalho do Omer é o do auto-conhecimento, o de conhecer a sua própria árvore da vida e praticar para melhorá-la. Ora, isso pode ser feito mesmo tendo quebrado a corrente. Continue com o trabalho, da melhor forma que puder, e verá que terá valido a pena todo o esforço. O autoconhecimento é a sua recompensa.”

Então, com tudo isso para refletir e aprender, vejo que as lições desse ano são: ser mais humilde, ser mais disciplinado, e ser mais tolerante comigo mesmo.

Obrigado, egrégora do Sefirat Ha Omer. E os trabalhos continuam!

O Velho e o Novo

Tenho a intenção de viver uma vida fulgurante, efervescente, com novidades e sensações a cada momento. Quero ser testado e passar no teste. Quero ser aclamado, justamente, por aquilo que eu faço. Por isso devo fazer algo que seja bom, que não somente seja aprovado pelos outros, mas, principalmente, por mim mesmo. E como eu gosto de causar forte impressão, tem de ser algo que quebre barreiras, que derrube o velho, o antigo, o inútil e o apodrecido. Não é que eu não goste de tradições. Eu gosto, respeito e aprecio tradições quando elas se mostram úteis a nossa vida atual. Tradições e costumes devem ser sempre muito bem avaliados. Há tantos costumes que não se justificam mais e, pior, muitos são terrivelmente nocivos ao bem estar de todos. Eles carregam um significado ultrapassado, uma razão de ser que não mais se aplica, e que só se mantém porque se adicionou um preconceito à antítese desse costume, desenvolveu-se um julgamento negativo.

Muitas vezes vi-me “sanduichado”, espremido, entre o velho e o novo. Julgado duramente pelo velho, forçado a viver como o velho. Instigado, desafiado, pelo novo, chamando-me para a nova experiência, para a nova prática, a nova forma de pensar. O que o velho traz de experiência, de comprovação de certas práticas e de condenação de outras, o novo traz de inovação, de criação, de frescor, de inocência, de ingenuidade.

Precisamos de ambos, o velho e novo. A dificuldade está em decidir que direção tomar. Que direção tomar?

Se seguirmos o antigo, repetiremos padrões e caminhos há muito trilhados, por tantas outras pessoas antes de nós. Haverá dicas e conselhos para se seguir, prevenções do que pode acontecer. O caminho poderá ser muito previsível, se todos os seus passos já serem vistos antecipadamente, traçados precisamente.

Se seguirmos o novo, estaremos indo em direção de uma fantástica aventura, cheia de mistério, de descoberta, de aprendizado, totalmente diferente do que já foi visto. Seremos surpreendidos a cada passo, a cada esquina. Teremos de agir e reagir no momento em que as coisas acontecem, da melhor forma que pudermos. Qualquer coisa pode acontecer, boa ou ruim.

Talvez se possa conciliar o velho com o novo. Talvez, o velho tenha de passar pelo filtro do presente, pelas necessidades atuais. E o novo, por sua vez, provavelmente deva passar pela sabedoria do velho, para que não se perca no caminho, para atestar que o novo é sim algo que acrescentará e melhorará aquilo que já é sabido ser bom. Nem sempre isso é possível, pois o velho tende a ter uma estrutura muito rígida, muito estabelecida, enquanto o novo é naturalmente livre, maleável, adaptável. Saber utilizá-los na hora certa, para o propósito correto, é um dos grandes desafios daqueles que buscam viver sempre com o frescor e a sensação de vida efervescente, sem perder a rica sabedoria dos antigos.