A presunção dos magos

“O pior cego é aquele que não quer ver”

Ao iniciar a caminhada na Senda, vemos logo no começo um panorama no mínimo fantástico: esclarecimento para todas as nossas dúvidas, solução para todos os nossos problemas, e até a conquista de dons e poderes para nosso deleite! Oh, que maravilhoso é esse caminho!
É precisamente ao adquirirmos esse posicionamento que nos mostramos indignos e, principalmente, ponto focal para as forças destruidoras da ignorância e do orgulho.
Prontamente perdemos o que mal começamos a entender e a, erroneamente, querer. Queremos o que não precisamos querer. E, querendo, caímos quando na verdade queríamos ascender.
Tolo é aquele que acha que, sozinho, consegue fazer tudo. Idiota é aquele que acredita ter algo especial que outro não possui.

“Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão”.

Alguns podem torcer o nariz ao ler essas palavras, mas boas lições podem ser encontradas em muitos lugares, e esse lugar, a origem dessa frase, não é diferente dos outros, então, por que não? O sábio reconhece a sabedoria, independentemente do meio em que a sapiência aflorou. Essa é a beleza da lição e do aprendizado: surgir em qualquer lugar. No limpo ou no sujo, no profano ou no sagrado, no corrupto ou no imaculado. O dever é saber reconhecê-la e absorvê-la.
O que essa frase implica denota bem o que foi dito anteriormente: olhar para si antes de olhar para fora. Somos alvo de nossos próprios defeitos, manias, maus-hábitos, vícios, demônios (internos e externos). Esses últimos são combatidos com unhas e dentes, mas e os outros, os internos? Esses estão tão bem alojados e estão tão invisíveis no dia-a-dia, que continuam a agir como se pouca coisa tivesse mudado, embora estejamos fazendo nossas práticas defensivas conforme prega a ordem/ o mestre/ o templo. Há a necessidade de se vivenciar as práticas, internamente, com toda a sua atenção e intenção.
Expurgar o mal que habita em si para daí olhar para as estrelas, buscar e encontrar.
Haveria diferença entre olhar para fora ou para dentro? Ambas são formas válidas de se encontrar o que tanto se busca. Se tem pesquisado para fora e não tem encontrado, procure pesquisando para dentro. Ficará surpreso.

“Nenhum homem é uma ilha”.

Todos precisamos de ajuda, direta ou indireta. Sempre precisaremos de alguém, por mais que se isole ou por mais poderoso que se torne. Há uma interdependência entre tudo. Uma teia invisível nos liga e nos une, e se faz necessário que o outro exista e sobreviva. Nem o mais poderoso ser humano pode viver somente de si próprio. E se há alguém que consiga, sempre há aqueles que o servem, sendo esses os que são a base para ele existir e, sendo assim, o apoio vital desse alguém, sem os quais viria a morrer.

“Sempre há um peixe maior”.

Sempre houve e sempre haverá alguém em uma hierarquia superior a você próprio e, se não houver, então você responderá a toda a classe hierárquica inferior, que é quem lhe dirige. Portanto, saber seu lugar e saber o seu dever e responsabilidades lhe dá perspectiva de sua importância na grande escala. Respeito é bom, humildade é melhor ainda.
Não confundir humildade com humilhação. Humildade é ser o que se é, sem aumentar nem diminuir. Humilhar é se diminuir. Soberba é se aumentar.
O poder não é exclusividade de quem estuda mais, ou de quem tem mais oportunidades. O poder vêm e vai, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais simples aos mais letrados.
O poder amplia e mostra o que há em cada pessoa no qual ele “pousa”. O poder é somente emprestado, e é geralmente para testar quem o recebe. Se for alguém digno, essa dignidade será ampliada e mostrada àqueles ao seu redor… se for indigno, essa pessoa exibirá ainda mais seus fortes traços negativos de caráter. Sempre lembrando, que ninguém é totalmente bom ou ruim. Como disse Sirius Black, “o mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós.”, ou seja, estamos o tempo todo decidindo agir em nuances, em graduações entre esses extremos e, ao receber poder, estamos sendo testados. É uma oportunidade que nos está sendo dada de testar-nos, de aprender com nossas capacidades e nossas decisões e de receber o julgamento dos olhos públicos, pois todo aquele que recebe o poder jamais fica oculto de todos os outros por muito tempo. Cedo ou tarde, a Verdade prevalece. A Justiça é feita, as pessoas sabendo ou não.

4 ideias sobre “A presunção dos magos

  1. Thiago,

    Conheci seu blog hoje, e tive boa impressão, lendo “A Presunção dos Magos”.
    ” Ao iniciar a caminhada na Senda, vemos logo no começo um panorama no mínimo fantástico: esclarecimento para todas as nossas dúvidas, solução para todos os nossos problemas, e até a conquista de dons e poderes para nosso deleite!”

    É apenas uma opinião: alguns ( eu entre essas pessoas ingênuas e que perder vez por outra a capacidade da desconfiança saudável, acreditou que esta bobagem específica seria possível: solução para todos os nossos problemas.).
    Quero acrescentar que descobrir o link do blog lendo um comentário que vc fez, há anos atrás, a este texto : “Primeira Convenção Nacional OK+RC”.
    Pensei comigo mesmo: talvez eu possa uma vez ou outra, tentar esclarecer alguma dúvida com Thiago Mazzon.

    Com votos de saúde,

    José Elias

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