Abençoados e Malditos

Estava lendo Sandman, quando vi do que Morpheus era capaz – ele aniquilou uma Terra do seu Universo, o Sonhar. A forma na qual ele a aniquila, com um encantamento profundo, antigo, oculto, que abriga a si mesmo, transformando a sua criação e a reabsorvendo em seu manto, para dentro do seu abdômen… poético, belo e triste se misturam. Como ele mesmo diz: “Finais são tão abençoados quanto malditos”. Hmm. Abençoados e malditos. Isso me remeteu ao princípio hermético de polaridade, no qual os opostos são, na verdade, a mesma coisa, e andam juntos, de “mãos dadas”. Continuar lendo

Hábitos

Sabe, acho que me desviei um pouco da proposta inicial. Achei que eu deveria tratar de assuntos complexos, de grandes questões filosóficas e tentar resolvê-las. Isso foi um equívoco. O erro foi julgar que só havia grandiosidade nessas questões. Pensando melhor, a grandiosidade está também nos pequenos atos. Talvez, PRINCIPALMENTE nos pequenos atos. No que fazemos momento a momento. Na atitude interna, nas decisões que tomamos e em que nos baseamos para tomá-las. Então, observando-me esses dias, vi como estava cometendo erros com minha vida e como fui joguete de distrações e de indulgências com meus desejos, satisfazendo-os de pronto, assim, na hora que vinham. Pensei em como deve haver pessoas na mesma situação que eu, que dá atenção e energia para distrações e entretenimento. Continuar lendo

Um Bambu Oco

Tilopa disse: Como um bambu oco relaxe seu corpo.

Esse é um dos métodos especiais de Tilopa. Todo Mestre tem seu próprio método especial através do qual ele alcançou e através do qual ele gostaria de ajudar os outros. Essa é a especialidade de Tilopa:
Como um bambu oco relaxe seu corpo.

Um bambu, completamente oco por dentro… Quando você descansa, você apenas sente que você é como um bambu: completamente oco e vazio por dentro. E, de fato, esse é o caso: seu corpo é exatamente como um bambu, e por dentro ele é oco. Sua pele, seus ossos, seu sangue, é tudo parte do bambu, e dentro há espaço, vacuidade. Continuar lendo

A Justiça e o julgamento de si mesmo

andurilSer alguém especial é sentir-se especial. Julgar-se especial. Inteiramente.

Quando se vê como alguém indigno, é porque você não se aceita. Porque há alguma coisa em você que lhe incomoda, talvez algum ato, algum hábito, alguma postura que faz com que se julgue alguém ruim.

O julgamento tem alguns símbolos muito interessantes.

A espada, por exemplo.

É uma arma que representa a justiça. A espada é reta, afiada e possui dois gumes, ambos afiados. Ela possui um cabo, onde o espadachim a segura e esse cabo é separado do fio-de-corte por um guarda-mão, que geralmente cruza a espada transversalmente.

A espada, quando sabiamente manejada, serve para cortar o que deve ser cortado e defender o que deve ser defendido.

Possui dois gumes. A justiça possui sempre dois lados: o acusado e o acusador. Daí também surge outro símbolo, o da balança.

Quando a espada ou a balança pendem para um lado, esse lado torna-se culpado. A espada pune o que deve ser punido. Isso, quando a justiça é bem aplicada. Porém, se for mal aplicada, a balança pode vir a pender para o lado errado, ou a espada pode vir a cortar o que não deveria ser cortado. Continuar lendo

Batalha Interna

Frodo: Eu gostaria que o anel nunca tivesse vindo a mim. Eu gostaria que nada disso tivesse acontecido.

Gandalf: Assim como todos que vivem para ver esses tempos. Mas não cabe a eles decidir. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. Há outras forças trabalhando nesse mundo, Frodo, além da vontade do mal. Bilbo estava destinado a encontrar o Anel. Nesse caso, você também estava destinado a tê-lo. E esse é um pensamento encorajador.

Quando é que saberemos o que fazer com nosso tempo?

Por tanto tempo também estive empacado nesse lamaçal.

Por que, Tiago?

Nesse meu mundo de teorias e probabilidades… de coisas que eu posso ser mas que nunca sou. Nunca faço. Nunca atuo.

De repente, tudo fica enevoado, indistinto. O que está na minha mente desaparece. Perde significado. Tão rápido, é como se minha memória estivesse falhando.

Às vezes não sei o que é real e o que é da minha mente. Quais possibilidades, quais ações são reais? Tento com todas as minhas forças discernir o que é do que não é. Mas parece que somente a mente não é suficiente.

Será que estou perdendo meu tempo, minha vida, jogando xadrez com as possibilidades da vida?

Por que estou aqui?

Tirando todos os livros e filosofias que li. Lidando com os fatos.

A carne degenera e morre. Eu sinto o mundo através dela. O que sou, então? A carne? O cérebro? Ou algo mais?

Por que eu escolheria uma existência como essa? Viver brevemente num corpo capaz de prazer e de dor. Num corpo que tem vida curta. Uma vida cheia de possibilidades, de beleza e de feiúra, de tristeza e de alegria. Por que?
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O Significado que nos Move

Tudo parece partir de um significado.

Aquilo que não tem significado, não tem motivos para existir. E se não há motivos para existir, então, mais cedo ou mais tarde, não mais existirá.

Toda pessoa que se sente perdida, está perdida em parte por não saber seu significado na vida. Não sabe, não sente, não intui, seu lugar na vida, sua função no esquema das coisas, do Universo, do Todo.

Esse vazio, esse buraco em si mesmo, muitas das vezes faz com que partamos em busca de um significado. Essa busca é o que fará com que a pessoa encontre aquilo que procura. É como uma luz, uma chama, o fogo orientador.

Porém, se a pessoa se encolher em si mesma, fechando-se, fará com que a dúvida permaneça e ganhe força. Talvez a leve a isolar-se cada vez mais, em todos os âmbitos. Provavelmente perca a vontade de fazer qualquer coisa. Porque, aos poucos, a falta de significado vai contaminando a vida dessa pessoa, como uma infecção, uma praga. Até que mesmo atos comuns do dia-a-dia se tornem totalmente inúteis para ela. Higienizar-se, alimentar-se, trocar-se… tudo passa a ser sem sentido. Até que a infecção chamada “Falta de Significado” alcance seu ápice, que é o vazio existencial completo e total. Nesse ponto, tudo é inútil. Tudo é vago. Tudo é trevas.

O nada absoluto impera.

E daí a pessoa se suicida.

É meu desejo que descanse em paz, Robin Williams… é meu desejo que você e que outras pessoas que se suicidaram ou que estão prestes a fazer isso, que vejam a verdade por trás da escuridão, por trás da luz, por trás de Tudo. Desejo que você e essas pessoas se lembrem de quem realmente são, das possibilidades que a existência proporciona, que se lembrem da dádiva de existir e experimentar. Experimentar… Experimentar…

Talvez o verdadeiro significado da vida seja esse. Experimentar tudo aquilo que quiser. Fazer o melhor que puder, da forma que quiser. Abrir os olhos e absorver a dádiva de estar aqui. Regozijar-se, banhar-se em tudo o que nos é ofertado, desde as mais simples.

O respirar.

O caminhar.

O observar o mundo. O céu. A terra.

O ouvir os sons do mundo.

O sentir com as mãos, com os pés, com o corpo.

Sensibilize-se para a vida. Aproveite a vida, aproveite o dia.

Carpe Diem!

Apoteose Humana

Bem acima do chão da Rotunda do Capitólio, Robert Langdon avançava com nervosismo pela passarela circular situada logo abaixo do teto da cúpula. Ele espiou hesitante por sobre o parapeito, tonto por causa da altura. (…)

Agora, de onde Langdon estava, o Arquiteto do Capitólio não passava de um minúsculo pontinho, movendo-se com passos firmes 55 metros abaixo e depois sumindo de vista. (…)

(…) e correu os olhos pelo imenso espaço vazio à sua frente até a outra ponta da galeria. Katherine tinha seguido adiante sem medo, aparentemente insensível à altura. Ela já havia cruzado metade da circunferência, admirando cada centímetro de A Apoteose de Washington, de Brumidi, que pairava acima de suas cabeças. Daquela perspectiva rara, os personagens de 4,5m de altura que enfeitavam os 433 metros quadrados do domo do Capitólio podiam ser vistos em um nível de detalhe surpreendente.

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A Aridez do Racional e o Clichê Essencial

O interesse pelo Ocultismo surgiu por uma busca interior por respostas. Veio de forma natural. É claro que essa busca foi incentivada por certas pessoas ao meu redor. Amigos, familiares… e até mesmo indiretamente, por obras de certos autores. Parece que, desde pequeno, eu tinha constantemente uma habilidade em procurar significados escondidos nas coisas. Muitas vezes não havia nada demais, mas em outras havia sim detalhes imperceptíveis aos olhos comuns.

Essa sede por conhecimento, por querer entender a minha vida, os “porquês” e “comos” que surgiram, me impulsionou de tal forma a estudar, a ler e a me especializar em áreas um tanto quanto excêntricas quando vistas pela pessoa comum, que por fim acabou me levando a diversos contatos, diversas experiências, e muita bagagem. Mas ainda estou longe de ser um adepto realmente. Por enquanto, ainda estou tateando nas minhas práticas.

Porém, nem tudo foi desperdiçado; todo esse tempo acumulando e classificando e organizando conhecimento rendeu algumas boas teorias acerca do todo e de como nossas vidas e mentes funcionam. O problema é que, quando você racionaliza algo, esse algo se torna árido. Perde a vida e a cor. Torna-se um texto maçante em alguma biblioteca ou blog esquecido num canto da internet (como se já não fosse o caso, rs).

Então, agora que percebi que os conceitos deduzidos que acumulei ficaram áridos, estou reavivando-os com a prática. Colorindo-os, sensibilizando-os, tornando-os novos, brilhantes e vívidos com a experiência, com os testes, com a prática. Pois antes eu achava que, ao chegar a grandes conclusões, eu poderia compartilhar com o mundo. Achava que seria empolgante. Mas percebi que compartilhar algo que não fiz não teria validade. Mesmo que o conceito por si só fosse fascinante; se eu não tivesse vivido, não poderia descrevê-lo de forma fascinante… pois não passei pela experiência. Seria o mesmo que copiar trechos de livros e colá-los juntos aqui… ou colocar palavras de outras pessoas e autores… não. Definitivamente, seria muito chato, muito tosco, muito árido, como eu já disse. Continuar lendo

O Equilibrista

Estar aqui, nesse momento, nesse corpo, nessa vida, tem sido muito desafiador… o desafio de se viver. O desafio de existir nessa condição, de se ter um corpo e de todas as responsabilidades que isso acarreta.

Só responsabilidades?

Claro que não. Também há vantagens, prazeres…

Porém, parece não ser possível fugir da dualidade…

Pois se você só usufrui, imediatamente isso criará um desequilíbrio na área diametralmente oposta.

E isso parece ser uma Lei da Vida. Da Natureza.

Pois não importa onde eu olhe, eu vejo isso atuando.

Em algumas situações, o desequilíbrio é mais evidente, pois seus efeitos são bem perceptíveis aos meus sentidos.

Mas em outras situações, os efeitos são mais ocultos. Eles ocorrem em um nível mais sutil de realidade. Nível esse que muitas vezes não é detectado pelos meus sentidos comuns.

Mas eu acredito que o efeito está lá, pois acontecem certas sincronicidades absurdas que acabam conectando fatos aparentemente desconexos…

Fazendo uma simulação de todos os efeitos desequilibradores que causei e que causarei na minha vida… a imagem que surge diante da minha mente é a de um equilibrista sobre uma corda bamba. Continuar lendo