Vícios e Objetivos

Balancear os aspectos da vida é resultado de um esforço contínuo. Assim parece pois os maus hábitos sempre voltam a atormentar quando se está treinando dominar a si mesmo.

As paixões nos fazem sucumbir diante de nossos projetos mais ambiciosos. Metas e objetivos que traçamos parecem não haver força diante de um mau hábito fortemente estabelecido.

Mais uma vez, a habilidade mental se faz necessária. Conhecendo o que ativa o desejo do mau hábito, pode-se evitar esses gatilhos. Há inúmeras formas de se mudar um hábito, cada qual dependendo de que tipo de hábito se deseja mudar.

Por exemplo, se se tem um desejo irrefreável de comer doces à noite, pode-se criar certas estratégias para evitar esse desejo. A pessoa tem que ser mais esperta que esse Desejo-de-Comer-Doce. O ideal seria enganar a própria mente, sem que ela soubesse. Criar barreiras, empecilhos, dificuldades, mudanças de pensamentos e de sensações, ao se deparar com o momento daquele mau hábito. Por exemplo, nesse caso, poderia-se:

  • escovar os dentes, ajudando a cortar a fome
  • comer uma fruta
  • mudar o pensamento, através de um livro, um filme, um artigo em um blog, um vídeo online, uma prática meditativa, etc

Ainda assim, muitas vezes o mau hábito se faz mais forte que as nossas tentativas de refutá-lo, acabando por fim rendendo-se a ele. E a cada vez que nos rendemos, o hábito se torna mais forte ainda, pois torna-se resistente às nossas débeis tentativas de matá-lo.

A partir disso, a frustração de não se progredir no sentido desejado vai se fazendo cada vez mais presente. Vai-se perdendo o respeito próprio, a força de vontade, aquela certeza de que se consegue fazer o que se planeja. Pouco a pouco, os planos vão sendo deixados de lado, “pois não consigo mudar”, “não tenho tempo”, “estou cansado”, e tantas outras desculpas que inventamos para nós mesmos a fim de não encararmos a verdade que não temos mais as rédeas de nosso destino. Demos as rédeas para os desejos que sentimos em saciar uma breve necessidade, sentir um breve prazer, quando poderíamos sentir uma prazer muito maior em concluir aquele projeto ambicioso e fantástico que nos propusemos, que nos ajudará a crescermos e nos tornarmos mais completos, mais confiantes em nossas próprias forças e habilidades, mais direcionados aos nossos anseios mais profundos.

Acho que o principal passo a ser dado quando não se está feliz é justamente perceber essa infelicidade. Daí, passa-se a analisar o que é que está impedindo de se ser ou de se fazer que te empurrará mais próximo a felicidade. Encontrando o que ou quem está impedindo a concretização dessas necessidades, torna-se claro o que deve ser feito: seguir em frente com o trabalho! Estourar as barreiras que o(a) impedem, achar tempo, achar forças, achar inspiração, ou seja lá o que for que se necessita para atingir as metas.

Com isso, ganhará a auto-confiança e o auto-domínio, peças-chaves para se viver bem e realizar o que precisa ser realizado.

 

Novo ano, velhas (e novas) reflexões

Velhas Reflexões

Vai ano, vem ano, e a impressão que tenho é que não importa a mudança desse número, desse contador. A mudança do número não importa. Assim como as tarefas diárias não importam por si próprias; elas são uma parte que se precisa dominar na vida, mas não se deve focar absolutamente nelas, pois não são um fim, elas são o preço cobrado, ao qual se vai pagando (ou não) conforme se vai vivendo e as executando.

Dormir, acordar, tomar café, trabalhar, tomar banho, lavar pratos, limpar a casa… são coisas que todo ser humano deve fazer, seja ele próprio, ou algum outro pago por ele. Mas entre tudo o que se faz durante o dia, deve haver algo que você faça com paixão, com amor, com vontade genuína; com uma força que te impulsiona e te dirige, de tal forma que você não se force em absoluto em fazê-la, mas ao mesmo tempo deve-se deixar “rolar”. Fluir.

Todos os dias eu vejo a janela de tempo para fazer essa coisa surgir, e eu penso “posso deixar para depois” ou “agora não posso, estou executando X tarefa, depois farei isso”. Mas o tempo se escoa e o que eu realmente queria fazer não foi feito.

A solução?

Fazer mesmo que interfira em outras tarefas. Tomar nota, pelo menos, do que se quer fazer. Abrir mais janelas no tempo para executar isso, que vêm lá do âmago de seu ser. Senão, fica-se preso nas tarefas diárias corriqueiras e a tarefa que realmente importa para esse momento no tempo-espaço fica adiada para depois ou amanhã. E o amanhã nunca vem, o depois nunca vem; pois o amanhã é sempre amanhã. O amanhã não existe, é uma ilusão criada pela mente. O agora existe. O dia 12/01 existirá, se eu viver até ele. Mas o amanhã? O amanhã é a promessa jamais cumprida, o desvio da atenção, a auto-ilusão.

O que é que eu tenho adiado seguidamente, sem trégua?

Questões sem resposta (novas reflexões)

Quando se busca pelas grandes respostas da vida, não se sabe o que acontecerá. O buscador muitas vezes se perde; seja em conceitos fora-de-si, seja em si mesmo. O Universo parece derramar sua infinitude para dentro e para fora do buscador. Os espaços e dimensões são tão complicadas e abstratas que fica difícil expor em palavras. Acho que a grande barreira para encontrar as respostas, no meu caso, seja eu mesmo.

Temo mergulhar em mim mesmo. E se eu me perder? E dai, como me acharei? Estarei pior do que estou agora, não?

Se sou feito, mesmo que diminutamente, dos mesmos arquétipos que compõe as dimensões do Universo, então em mim há, ainda que sob severas restrições, todas essas dimensões disponíveis para explorar. Talvez não estejam “abertas”, por assim dizer, mas o potencial existe. O potencial de se conectar nesse planos existenciais e, quem sabe, estabelecer contato com alguém de lá. Loucura minha? Talvez…

Ou ainda, tornar-se um receptáculo para que alguém do lado de lá venha para cá. Um veículo, ainda que temporário, para outros seres visitem e experimentem nossa dimensão.

Se isso é verdade, então, esse potencial de conexão interdimensional existe em todos e em cada ser humano. Você, eu, sua mãe, seu colega de trabalho, seu chefe, seu amigo, seu inimigo, o mendigo da rua, o viciado em crack, a prostituta, o lixeiro, o ladrão, o assassino… todos eles… com um imenso potencial. Todos eles, com tanto para explorar, para experimentar. Todos podendo ser heróis por si próprios… ou vilões.

E tudo isso existe espalhado em todas as situações que vivemos. Pois acessamos essas dimensões para pegar inspiração, para pegar energia de ação, para raciocinar, fazer cálculos, lembrar de eventos passados, sentir amor, tristeza, felicidade. Pois, se esses arquétipos divinos interpenetram e compõe toda a realidade, então tudo o que existe bebe da fonte deles. Bebe dessas dimensões, ou planos existenciais.

E é aí que toda essa enorme reflexão, todas as consequências que vêm pra você, tornam-se difusas demais e a “realidade” se faz mais forte, trazendo-o para o “aqui e agora” novamente, dizendo “ok, páre de viajar demais. Você tem tais tarefas para fazer. Faça-as, concentre-se nelas. Isso é o que importa!”.

E você abaixa a cabeça e obedece esse impulso, pois sabe que o que deve ser feito tem de ser feito, e se não for feito, será muito pior. E você se lembra que a experiência é o que vale no final das contas, não as conjecturas que se formam na sua mente demasiadamente inflada de informações e livros. Mas, que há a possibilidade para o que se pensou, isso há… e lá no fundo, você sabe que é preciso comprovar por si mesmo ao invés de ficar apenas supondo… e a aventura de se trilhar o caminho surge mais forte e lhe puxa para ela, instigando-o. E agora? Ir ou não ir? Trilhar ou não trilhar? Eis a questão!

 

Abençoados e Malditos

Estava lendo Sandman, quando vi do que Morpheus era capaz – ele aniquilou uma Terra do seu Universo, o Sonhar. A forma na qual ele a aniquila, com um encantamento profundo, antigo, oculto, que abriga a si mesmo, transformando a sua criação e a reabsorvendo em seu manto, para dentro do seu abdômen… poético, belo e triste se misturam. Como ele mesmo diz: “Finais são tão abençoados quanto malditos”. Hmm. Abençoados e malditos. Isso me remeteu ao princípio hermético de polaridade, no qual os opostos são, na verdade, a mesma coisa, e andam juntos, de “mãos dadas”. Continuar lendo

Hábitos

Sabe, acho que me desviei um pouco da proposta inicial. Achei que eu deveria tratar de assuntos complexos, de grandes questões filosóficas e tentar resolvê-las. Isso foi um equívoco. O erro foi julgar que só havia grandiosidade nessas questões. Pensando melhor, a grandiosidade está também nos pequenos atos. Talvez, PRINCIPALMENTE nos pequenos atos. No que fazemos momento a momento. Na atitude interna, nas decisões que tomamos e em que nos baseamos para tomá-las. Então, observando-me esses dias, vi como estava cometendo erros com minha vida e como fui joguete de distrações e de indulgências com meus desejos, satisfazendo-os de pronto, assim, na hora que vinham. Pensei em como deve haver pessoas na mesma situação que eu, que dá atenção e energia para distrações e entretenimento. Continuar lendo

Um Bambu Oco

Tilopa disse: Como um bambu oco relaxe seu corpo.

Esse é um dos métodos especiais de Tilopa. Todo Mestre tem seu próprio método especial através do qual ele alcançou e através do qual ele gostaria de ajudar os outros. Essa é a especialidade de Tilopa:
Como um bambu oco relaxe seu corpo.

Um bambu, completamente oco por dentro… Quando você descansa, você apenas sente que você é como um bambu: completamente oco e vazio por dentro. E, de fato, esse é o caso: seu corpo é exatamente como um bambu, e por dentro ele é oco. Sua pele, seus ossos, seu sangue, é tudo parte do bambu, e dentro há espaço, vacuidade. Continuar lendo

A Justiça e o julgamento de si mesmo

andurilSer alguém especial é sentir-se especial. Julgar-se especial. Inteiramente.

Quando se vê como alguém indigno, é porque você não se aceita. Porque há alguma coisa em você que lhe incomoda, talvez algum ato, algum hábito, alguma postura que faz com que se julgue alguém ruim.

O julgamento tem alguns símbolos muito interessantes.

A espada, por exemplo.

É uma arma que representa a justiça. A espada é reta, afiada e possui dois gumes, ambos afiados. Ela possui um cabo, onde o espadachim a segura e esse cabo é separado do fio-de-corte por um guarda-mão, que geralmente cruza a espada transversalmente.

A espada, quando sabiamente manejada, serve para cortar o que deve ser cortado e defender o que deve ser defendido.

Possui dois gumes. A justiça possui sempre dois lados: o acusado e o acusador. Daí também surge outro símbolo, o da balança.

Quando a espada ou a balança pendem para um lado, esse lado torna-se culpado. A espada pune o que deve ser punido. Isso, quando a justiça é bem aplicada. Porém, se for mal aplicada, a balança pode vir a pender para o lado errado, ou a espada pode vir a cortar o que não deveria ser cortado. Continuar lendo

Batalha Interna

Frodo: Eu gostaria que o anel nunca tivesse vindo a mim. Eu gostaria que nada disso tivesse acontecido.

Gandalf: Assim como todos que vivem para ver esses tempos. Mas não cabe a eles decidir. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. Há outras forças trabalhando nesse mundo, Frodo, além da vontade do mal. Bilbo estava destinado a encontrar o Anel. Nesse caso, você também estava destinado a tê-lo. E esse é um pensamento encorajador.

Quando é que saberemos o que fazer com nosso tempo?

Por tanto tempo também estive empacado nesse lamaçal.

Por que, Tiago?

Nesse meu mundo de teorias e probabilidades… de coisas que eu posso ser mas que nunca sou. Nunca faço. Nunca atuo.

De repente, tudo fica enevoado, indistinto. O que está na minha mente desaparece. Perde significado. Tão rápido, é como se minha memória estivesse falhando.

Às vezes não sei o que é real e o que é da minha mente. Quais possibilidades, quais ações são reais? Tento com todas as minhas forças discernir o que é do que não é. Mas parece que somente a mente não é suficiente.

Será que estou perdendo meu tempo, minha vida, jogando xadrez com as possibilidades da vida?

Por que estou aqui?

Tirando todos os livros e filosofias que li. Lidando com os fatos.

A carne degenera e morre. Eu sinto o mundo através dela. O que sou, então? A carne? O cérebro? Ou algo mais?

Por que eu escolheria uma existência como essa? Viver brevemente num corpo capaz de prazer e de dor. Num corpo que tem vida curta. Uma vida cheia de possibilidades, de beleza e de feiúra, de tristeza e de alegria. Por que?
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O Significado que nos Move

Tudo parece partir de um significado.

Aquilo que não tem significado, não tem motivos para existir. E se não há motivos para existir, então, mais cedo ou mais tarde, não mais existirá.

Toda pessoa que se sente perdida, está perdida em parte por não saber seu significado na vida. Não sabe, não sente, não intui, seu lugar na vida, sua função no esquema das coisas, do Universo, do Todo.

Esse vazio, esse buraco em si mesmo, muitas das vezes faz com que partamos em busca de um significado. Essa busca é o que fará com que a pessoa encontre aquilo que procura. É como uma luz, uma chama, o fogo orientador.

Porém, se a pessoa se encolher em si mesma, fechando-se, fará com que a dúvida permaneça e ganhe força. Talvez a leve a isolar-se cada vez mais, em todos os âmbitos. Provavelmente perca a vontade de fazer qualquer coisa. Porque, aos poucos, a falta de significado vai contaminando a vida dessa pessoa, como uma infecção, uma praga. Até que mesmo atos comuns do dia-a-dia se tornem totalmente inúteis para ela. Higienizar-se, alimentar-se, trocar-se… tudo passa a ser sem sentido. Até que a infecção chamada “Falta de Significado” alcance seu ápice, que é o vazio existencial completo e total. Nesse ponto, tudo é inútil. Tudo é vago. Tudo é trevas.

O nada absoluto impera.

E daí a pessoa se suicida.

É meu desejo que descanse em paz, Robin Williams… é meu desejo que você e que outras pessoas que se suicidaram ou que estão prestes a fazer isso, que vejam a verdade por trás da escuridão, por trás da luz, por trás de Tudo. Desejo que você e essas pessoas se lembrem de quem realmente são, das possibilidades que a existência proporciona, que se lembrem da dádiva de existir e experimentar. Experimentar… Experimentar…

Talvez o verdadeiro significado da vida seja esse. Experimentar tudo aquilo que quiser. Fazer o melhor que puder, da forma que quiser. Abrir os olhos e absorver a dádiva de estar aqui. Regozijar-se, banhar-se em tudo o que nos é ofertado, desde as mais simples.

O respirar.

O caminhar.

O observar o mundo. O céu. A terra.

O ouvir os sons do mundo.

O sentir com as mãos, com os pés, com o corpo.

Sensibilize-se para a vida. Aproveite a vida, aproveite o dia.

Carpe Diem!

Apoteose Humana

Bem acima do chão da Rotunda do Capitólio, Robert Langdon avançava com nervosismo pela passarela circular situada logo abaixo do teto da cúpula. Ele espiou hesitante por sobre o parapeito, tonto por causa da altura. (…)

Agora, de onde Langdon estava, o Arquiteto do Capitólio não passava de um minúsculo pontinho, movendo-se com passos firmes 55 metros abaixo e depois sumindo de vista. (…)

(…) e correu os olhos pelo imenso espaço vazio à sua frente até a outra ponta da galeria. Katherine tinha seguido adiante sem medo, aparentemente insensível à altura. Ela já havia cruzado metade da circunferência, admirando cada centímetro de A Apoteose de Washington, de Brumidi, que pairava acima de suas cabeças. Daquela perspectiva rara, os personagens de 4,5m de altura que enfeitavam os 433 metros quadrados do domo do Capitólio podiam ser vistos em um nível de detalhe surpreendente.

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A Aridez do Racional e o Clichê Essencial

O interesse pelo Ocultismo surgiu por uma busca interior por respostas. Veio de forma natural. É claro que essa busca foi incentivada por certas pessoas ao meu redor. Amigos, familiares… e até mesmo indiretamente, por obras de certos autores. Parece que, desde pequeno, eu tinha constantemente uma habilidade em procurar significados escondidos nas coisas. Muitas vezes não havia nada demais, mas em outras havia sim detalhes imperceptíveis aos olhos comuns.

Essa sede por conhecimento, por querer entender a minha vida, os “porquês” e “comos” que surgiram, me impulsionou de tal forma a estudar, a ler e a me especializar em áreas um tanto quanto excêntricas quando vistas pela pessoa comum, que por fim acabou me levando a diversos contatos, diversas experiências, e muita bagagem. Mas ainda estou longe de ser um adepto realmente. Por enquanto, ainda estou tateando nas minhas práticas.

Porém, nem tudo foi desperdiçado; todo esse tempo acumulando e classificando e organizando conhecimento rendeu algumas boas teorias acerca do todo e de como nossas vidas e mentes funcionam. O problema é que, quando você racionaliza algo, esse algo se torna árido. Perde a vida e a cor. Torna-se um texto maçante em alguma biblioteca ou blog na internet.

Então, agora que percebi que os conceitos deduzidos que acumulei ficaram áridos, estou reavivando-os com a prática. Colorindo-os, sensibilizando-os, tornando-os novos, brilhantes e vívidos com a experiência, com os testes, com a prática. Pois antes eu achava que, ao chegar a grandes conclusões, eu poderia compartilhar com o mundo. Achava que seria empolgante. Mas percebi que compartilhar algo que não fiz não teria validade. Mesmo que o conceito por si só fosse fascinante; se eu não tivesse vivido, não poderia descrevê-lo de forma fascinante… pois não passei pela experiência. Seria o mesmo que copiar trechos de livros e colá-los juntos aqui… ou colocar palavras de outras pessoas e autores… não. Definitivamente, seria muito chato, muito tosco, muito árido, como eu já disse. Continuar lendo